terça-feira, 27 de julho de 2010

Resenha doc: Jogo de cena, Eduardo Coutinho


Um anúncio de jornal e muitas histórias para contar. Foi assim que começou a realização de um projeto a caráter de Eduardo Coutinho, um dos melhores documentaristas brasileiros em atividade. Em junho de 2006, das oitenta e três mulheres que contaram suas vidas em um estúdio após a resposta ao anuncio de Coutinho apenas vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro daquele ano, algumas atrizes interpretaram as mesmas histórias.

Jogo de Cena é um longa-metragem de Eduardo Coutinho que desde o início da carreira divide suas obras entre o estilo da ficção e do documentário. Depois da passagem pelo programa Globo Repórter, na década de 70 optou pelo segundo. Cabra Marcado para Morrer tornou-se um clássico do cinema brasileiro na década de 60. Recentemente, lançou cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). Coutinho ainda é o autor dos documentários Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987) e Boca de Lixo (1992).

A obra conta a vida de mulheres comuns e faz uma linha tênue entre o que é real e o que é interpretado pelas atrizes que se dispuseram a contar aquelas histórias. Uma interpretação digna de brasileiras conhecidas por todos em novelas e minisséries nacionais. Tudo gravado e misturado é a impressão que temos ao ver as mesmas histórias contatas pela fonte (vida real) e pelo observador (intérprete), mais ou menos o que acontece no mundo do jornalismo. As histórias contadas são interpretadas de diversas maneiras dependendo da vivência e observação de cada um.

Uma belíssima obra que põe em dúvida o real e o imaginário. O que realmente somos? Observados ou observadores?

(Texto produzido na disciplina de Jornalismo Especializado)

Nenhum comentário:

Postar um comentário