terça-feira, 27 de julho de 2010

Minha centenária

Maria dos Santos Albino que completou 100 anos, em 18 de outubro deste ano. Nasceu na cidade de Gaspar em 1907. Filha de Francisca dos Santos e Alberto Magno dos Santos. Trabalhava na roça com seus pais e irmãos, plantava mandioca, milho, cana-de-açúcar e feijão.

Após a morte da mãe que faleceu aos trinta anos, de febre espanhola e Maria teve que cuidar de seus onze irmãos. Tinha apenas 11 anos quando isso aconteceu. “O mais novo só sentava. Eu ajudei a criá-lo” disse, ao lembrar da morte da mãe.

“Meu pai que sabia um pouco mais me ensinou a ler” disse orgulhosa, mas foi lendo a Bíblia e cantando que ela realmente aprendeu.

“Quando eu era mais nova dizia que nunca ia me casar. Eu não era uma moça bonita”, afirmou a pequena senhora sentada no sofá. Com o primeiro marido, ficou casada por 13 anos e teve três filhos. Depois de algum tempo, casou com Antônio João Nogueira e com ele teve nove filhos.

Morou na cidade de Penha, Ilhota e em julho de 1961 veio para Itajuba, Barra Velha. O filho mais novo lembra como era o bairro, que ainda não era Itajuba. “Aqui quase não morava ninguém, apenas algumas famílias, Todas distantes umas das outras” disse Antônio dos Santos, 54 anos um dos filhos que cuida de dona Maria junto com a esposa Dirce. “Ele tem muita história para contar” disse a esposa.

Dona Maria não gosta de leite de vaca em caixinha. “Tenho que comprar leite puro para ela”, disse o filho. Quando mais nova gostava muito de pirão. Agora com 100 anos come pouco, mas continua saudável. “Ela tem a pressão normal, colesterol e diabetes tudo em ordem”, disse Antônio.


“Minha maior alegria é quando recebo visita. As mulheres da Igreja sempre aparecem para me visitar” disse quando questionada sobre as alegrias da vida. “Esses dias meus netos estiveram aqui. Tiraram fotografias também”, lembrou depois de algum tempo.

Ela fica sentada na sala e para descansar deita na cama de seu quarto. Antes, gostava de assistir televisão e bordar, mas como os olhos já não são mais os mesmos. Prefere ficar quietinha na sua poltrona e esperar por visitas. Quando jovem trabalhou muito na roça junto com o marido e os filhos.

Hoje emocionada chora depois de contar da vida sofrida. O filho mais velho chega e então vou embora. Dona Maria pede um abraço apertado e nova visita.


(Dona Maria morreu no mesmo ano em que a entrevista foi feita.)

Temperatura Corporal Por que temos diferentes temperaturas ao longo de nossas vidas? Quais são as principais causas da febre?


A gripe A ficou conhecida entre as pessoas nos últimos meses, seja pela insistência em permanecer na mídia ou pelos panfletos distribuídos na campanha de prevenção feita pelo Ministério da Saúde. Os vários sintomas são conhecidos e comuns em nosso dia a dia. A febre é a mais comum. Afinal, quem nunca a teve? Por que a temos? E o que ela faz?

Segundo o artigo do médico Ércio Oliveira, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, disponível no site ABC da Saúde, a febre, embora questionável, é a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitas como detectores de febre as temperaturas: retal acima de 38º C e axilar ou oral acima de 37,5º C.

A preocupação com o sintoma vem desde os tempos em que o termômetro ainda não existia. Mães preocupadas com a saúde de seus filhos encharcavam toalhas e as colocavam na testa da prole para que a temperatura baixasse. Hoje em dia, as mães preocupadas não deixam por menos, vão direto ao Pronto Atendimento em busca de assistência médica.

Nos últimos meses o número de fichas cadastradas com o sintoma da febre aumentou consideravelmente, não apenas pela chegada do inverno que sempre acarreta na transmissão da gripe comum, mas principalmente pelo receio da contaminação pela gripe A que se popularizou nos últimos tempos. A cada dez fichas, sete estão preenchidas com a palavra “febre” no banco de dados da Fundação Hospitalar de Barra Velha, mas em outras cidades isso não foi diferente. A insistência da mídia na prevenção da Gripe A, fez com que muitas pessoas preocupadas com os sintomas apresentado fossem direto ao médico para sanar a dúvida.

Márcia C. de Aragão chegou à fila do Pronto Atendimento às 7 horas, a primeira paciente depois do nascer do sol, estava com dores musculares, mas não apresentava febre alta. Lenir J. de Souza chegou logo após com o filho mais novo nos braços. Arthur está com febre há dias, na última noite, ninguém dormiu na casa do pequeno. A febre chegou a 39º C, mas como os pais moram em um dos bairros da cidade e não tinham como trazer o menino até o centro e esperaram até que fosse possível pegar uma carona com o vizinho. “Ele sempre tem febre, deve ser a garganta”, afirma a mãe com a lista de remédios que Arthur tomou na mão.

A enfermeira Iara G. Purini afirma que a automedicação é extremamente perigosa principalmente em crianças. “Os pais pensam estar fazendo o bem aos seus filhos, mas podem estimular outra reação que pode piorar o estado da criança” completa preocupada.

Por que sentimos frio?

A professora de Fisiologia do curso de enfermagem da Univali e especialista em Ciências Morfofisiológicas pela UDESC, Vanderléia Aparecida Tomáz explica que quando estamos com febre nosso organismo libera além de elementos de defesa, substâncias que fazem com que nosso corpo gaste muita energia para isso e como consequência deste esforço liberamos bastante calor. “A liberação destas substâncias chamadas pirógenas endógenas promove uma "perturbação" no centro termorregulador (tronco cerebral) e o aumento do calor tem que ser eliminado através da pele em forma de transpiração”. Como nosso corpo se encontra superaquecido o suor em contato com o ambiente nos causa a sensação de frio. A termorregulação é um conjunto de sistemas responsável pela regulação da temperatura corporal, que visa a manutenção de uma temperatura constante. 

“Digamos que a febre é um aviso fisiológico ao corpo de que algo está errado e precisa ser verificado, e tratado. Porém é importante mencionar que o aumento da temperatura não significa necessariamente febre”, confirma Vanderléia, a febre é um mecanismo de defesa do organismo. Buscar a orientação médica é a melhor opção.

Mudanças na temperatura corporal

A temperatura habitual como disse o médio Ércio Oliveira, em artigo publicado no site ABC da Saúde, pode variar conforme os devidos fatores:

Idade

No decorrer de nossas vidas, possuímos diversas temperaturas corporais. Quando bebês, nossa temperatura normal é maior do que quando adultos. A temperatura para crianças antes de 1 ano de idade geralmente é de 0,6 °C. O que ocorre é que existem diferenças entre como as faixa etárias reagem ao evento, quando a temperatura se eleva.

O livro “Febre de origem indeterminada” do autor Vicente Amato Neto, referência no assunto, cita a preocupação com os idosos em casos de febre pertinente.  Nos idosos há maiores chances de quadros com infecções graves, pois com o passar do tempo nosso organismo fica menos resistente às bactérias e doenças.

Sexo

A diferença entre os sexos existe basicamente por causa das variações hormonais no período menstrual da mulher. Nos homens as mudanças só acontecem com outros fatores não relacionados às variações hormonais.

Atividade Física  e a temperatura ambiente

Exercícios em excesso ou por longos períodos podem causar alterações na temperatura do corpo, mas não chega a ser preocupante e nem causar febre. Além disso, esse aumento nos dá uma sensação de satisfação após a transpiração.

O ambiente pouco arejado também pode alterar nossa temperatura corporal, uma sauna, um deserto, um dia quente ou quando permanecemos demasiadamente ao sol, por exemplo.

(Texto produzido na disciplina de Jornalismo Cientifico)

Aterro sanitário: uma solução viável


O acúmulo de restos orgânicos de maneira inadequada pode destruir o solo e o gás metano expelido, auxiliar na corrosão da camada de ozônio. Sem contar os materiais que poderiam ser reciclados e acabam em lixões onde ficarão durante décadas até se deteriorarem.

O lixo descartado sem controle pode afetar diretamente o meio ambiente. Segundo dados da Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI), só na cidade de Itajaí são produzidas, mensalmente, mais de quatro mil toneladas de lixo, destes apenas 200 toneladas são destinadas à reciclagem, todo o resto acaba em lixões clandestinos, no aterro sanitário ou então na natureza.

            Para amenizar esses problemas existem algumas maneiras de compactar e armazenar o lixo sem que ele fique jogado a céu aberto como acontece nos lixões. Dentre elas a mais viável para a realidade brasileira é a construção de aterros sanitários.

“Existem outras tecnologias para destinar o lixo, mas elas saem muito caro, para nós o aterro é a solução mais viável”, explica o Engenheiro Ambiental Francisco Carlos Nascimento, responsável pelo aterro sanitário de Itajaí.

            O aterro sanitário é constituído de três etapas: a primeira é a uma cobertura no solo, para que o chorume (líquido preto expelido pelo lixo) não atinja qualquer lençol freático. A segunda é a drenagem deste chorume para lagoas de tratamento localizadas ao lado dos acumulados de lixo e depois lançados para o esgoto ou algum rio próximo, como ocorre em Itajaí. Por último, os detritos jogados no aterro são compactados com um caminhão rolo e depois soterrados por uma camada de argila. Para a eliminação do gás metano liberado pelo lixo existem tubulações no meio do aterro e antes de liberá-lo para a atmosfera esse gás entra em combustão, para evitar o risco de explosão sob o solo.

            Mesmo afetando o meio ambiente o aterro sanitário ainda consegue controlar o metano e seu maior trunfo é o tratamento do chorume. Ainda é necessária a ajuda da população para que o aterro funcione de maneira mais eficiente, além de separar o lixo reciclável do orgânico a população ainda precisa reduzir o volume diário de lixo. “Cada ser humano produz quase um quilo de lixo por dia e todo esse volume é direcionado para o aterro. Com esse acúmulo diário em alguns anos a área necessária para construção de novos aterros será enorme”, ressalta Francisco Carlos Nascimento.

            Parte do problema pode ser amenizado com a reciclagem, pois o aumento do lixo, como é o caso das embalagens em excesso nos produtos de hoje, são destinados ao aterro sem passar por uma separação adequada. Atualmente, apenas 5% do lixo reciclável produzido segue este caminho, todo o resto acaba no aterro sanitário da cidade de Itajaí, que também recebe o lixo da cidade vizinha, Balneário Camboriú. O excesso deste material não se refere apenas ao detrito doméstico, o aterro da Canhanduba ainda recebe resíduos hospitalares e industriais que deveriam ser de responsabilidade de seus geradores, diminuindo ainda mais a vida útil do local.

            A história do aterro sanitário da Canhanduba já completou 18 anos, porém ela ocorria de forma precária até que, em 2006, a Prefeitura de Itajaí em parceria com a Engepasa Ambiental Ltda. e a Prefeitura de Balneário Camboriú inauguraram a nova estrutura. Desta vez, foi devidamente projetada e construída com o investimento de mais de 12 milhões de reais, para que o lixo tenha um destino final seguro, diminuindo o impacto ambiental.

(Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Cientifico com os colegas Antonio Massoquetti e Renan Accioly)

Resíduos que rendem. A história daqueles que transformaram o lixo em lucro

As sirenes amarelas brilham em conjunto com os pisca-piscas florescentes em cima do veículo da prefeitura. Este é o sinal de que o caminhão da coleta seletiva está passando pelas ruas de Itajaí. Muitos dos indivíduos que os veem percorrendo a cidade até podem considerar este um trabalho sujo ou indigno. Para Luiza Ribeiro, 64 anos, funcionária da Cooperativa dos Coletores de Lixo da Foz do Itajaí - Cooperfoz, a implantação da coleta seletiva e o trabalho oportunizado por esses caminhões lotados de lixo é a benção que traz a sua família o seu sustento. Ao ver serem despejados na cooperativa centenas de produtos antes considerados inutilizáveis, Dona Luiza vê esperança no que outros enxergam como sujeira. Funcionaria mais velha dentre os 47 operários que lá trabalham, a mulher de cabelos já grisalhos, rugas pelo corpo e bom humor cativante, não encara a batalha de separar resíduos como tarefa penosa, mas sim como apenas mais um serviço honesto,  “trabalhar aqui é muito bom, consigo tirar o sustento de meus filhos e ainda sobra um dinheiro pra fazer minhas coisas.”

 Por ser a funcionária que possui mais tempo de casa, cinco anos, Dona Luiza consegue separar materiais com mais eficiência e dividi-los de maneira ágil, porém se engana quem acha que ela ganha mais. Todo o dinheiro adquirido pela cooperativa na separação e venda de resíduos é dividido em parte iguais para todos os funcionários. Essa forma de divisão alcança uma média de 200 reais semanais para cada um.

Mas esses valores podem se alterar com uma ajudinha do destino. Como os produtos separados ao longo da esteira tem origem nas milhares de casas do município, alguns deles podem conter surpresas. “A gente sempre encontra alguma coisa perdida no meio do que os caminhões trazem. Tudo depende da sorte: já encontrei desde camisinhas até um vibrador, mas também já achei muito dinheiro”, ressalta Dona Luiza com a felicidade das lembranças. Em alguns desses dias em que constantemente separava os materiais com suas colegas veio a suas mãos uma bolsa de linhaça com um maço de notas. Eram 10 mil reais que ela havia encontrado no meio do lixo. Como não havia como saber de onde veio o dinheiro acabou sendo dividido entre ela e as funcionárias presentes.

A vice-presidente da cooperativa, Patrícia Aparecida Koch, hoje com 30 anos, construiu sua vida em torno do que os outros consomem. Antes de se tornar membro da Cooperfoz vivia pelas ruas catando lixo, pois a ausência da coleta seletiva em Itajaí a forçava a vasculhar as lixeiras da cidade para adquirir seu sustento. Atualmente se diz satisfeita com seu emprego e as melhoras em sua condição de vida, “Com a cooperativa hoje tudo é bem melhor. A gente não precisa ficar sujando nossas mãos pegando nos lixos orgânicos, aqui é tudo bem dividido. Possuímos local fixo para trabalhar, turnos fixos e apoio da prefeitura”. E se engana quem acha que os trabalhadores não são conscientes da sua função na melhoria da qualidade de vida da cidade. “Além do dinheiro que ganhamos ajudamos o meio ambiente também, pois selecionando os resíduos, os tornamos reutilizáveis. Sinto que faço minha parte”.

Quando questionada sobre o preconceito que possa ter sofrido em relação à maneira como ganha a vida, diz que muita gente a olhava atravessado quando catava na rua, mas o que realmente importa é o que seus filhos acham. “Meus filhos têm orgulho do que faço aqui, o que os chateia é o fato de eu ficar muito na cooperativa e não ter tempo pra eles”. Enquanto o trabalho de coleta seletiva não atinge a meta de 30% de população ativa, as funcionárias da Cooperfoz continuam realizando um trabalho sustentável pelo bem da cidade, do meio ambiente e dos seus filhos, mesmo sem o devido reconhecimento.

Hoje se estima que um em cada 1000 brasileiros é catador. E três em cada 10 catadores gostariam de continuar na cadeia produtiva da reciclagem mesmo que tivessem uma alternativa. Eles têm orgulho do trabalho.  De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada pelo IBGE em 2000, diariamente no Brasil coleta-se 125,281 mil toneladas de resíduos domiciliares, e 52,8% dos municípios brasileiros dispõem estes resíduos nos lixões. Em Itajaí este número chega a quatro mil toneladas por mês, cerca de 170 toneladas por dia e apenas 250 toneladas são de material reciclado.

Coleta Seletiva: entenda este processo

Para muitos o lixo é somente o que não tem mais utilidade, para outros pode ser fonte de renda e ainda se tornar um produto novinho em folha. A coleta seletiva funciona como um trabalho de separação e recolhimento de resíduos descartados pelas pessoas e empresas. Estes materiais podem ser reciclados e separados do lixo orgânico, sendo reaproveitados.  O produto reciclável pode ser triturado e transformado em um novo produto ou se manter na forma original e ser reutilizado de outras formas. O plástico, por exemplo, pode virar bolsa, enfeite, árvores de natal ou poltronas de garrafa pet. Tudo depende da criatividade do artesão e a consciência de todos que participam da coleta seletiva de Itajaí.

“Lixo reciclável, tarifa zero”, a campanha iniciada no ano de 2005 sob a responsabilidade da Prefeitura da cidade de Itajaí juntamente com a empresa que preza pelo meio ambiente, Engepasa Ambiental Ltda e a Cooperativa dos Coletores de Materiais Recicláveis da Foz do Rio Itajaí, Cooperfoz. A campanha era promessa de mudança no município que desperdiçava o lixo reciclável, antes jogado diretamente no lixão da cidade, quando o aterro sanitário ainda não existia. Confira a seguir como funciona o aterro.

A conscientização relâmpago da população itajaiense esteve ligada diretamente ao bolso dos moradores da cidade litorânea. Quem separasse o lixo orgânico do reciclável não pagaria a taxa de lixo obrigatório. Resultado final: 100% de aceitação. O número de adeptos é questionável. Segundo dados da Engepasa Ambiental apenas 20% do lixo reciclável produzido pela população é destinado à coleta seletiva, deduz-se que o restante é encaminhado ao aterro sanitário municipal sem triagem alguma.

Os moradores que não separam o lixo reciclável dividem opiniões sobre o processo e a importância da ação. Yara Nascimento, 25 anos, não faz a separação, diz não ter o hábito. Já a historiadora Nadia Ceccom, 32 anos, adepta da coleta seletiva afirma que ela é tão importante para o meio ambiente quanto para a conscientização da população. “Além de ser uma forma de preservação, a diminuição do lixo é visível”.

O caminhão da Coleta Seletiva passa diariamente nas ruas, em bairros distintos seguindo uma tabela de horários fixa e encaminha este material para que seja feita uma triagem. Se os materiais recicláveis como vidro, papel, plástico e metal fossem destinados ao aterro sanitário ou lixão como acontecia anteriormente, estes demorariam aproximadamente de seis meses até 1 milhão de anos, como é o caso do vidro, para se decompor.

A coleta seletiva é o sustento da Cooperfoz, são quatro os caminhões que levam o material todos os dias. A Cooperfoz nasceu junto com a campanha “Lixo reciclável, tarifa zero” e está funcionando, explica Patrícia, vice-presidente da cooperativa.

A consciência ambiental também está presente no universo da Universidade do Vale do Itajaí, Univali, onde o Laboratório de Valorização de Resíduos faz a coleta seletiva dos materiais. Papel, vidro, plástico, alumínio e perigosos, o último faz referência a produtos como: pilha, óleo de cozinha, medicamentos e material descartado pelos cursos de saúde da Instituição. Alexandre de Ávila Leripio, professor de Engenharia Ambiental, diz que a implantação da coleta seletiva na Universidade não tem sido eficaz. “As pessoas não fazem a triagem de maneira correta”. O projeto, a ser implantado no próximo semestre, terá um ambiente próprio para a separação dos produtos. O retorno financeiro será destinado aos demais projetos da Instituição e do curso de Engenharia Ambiental.

(Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Cientifico com o colegas Antonio Massoquetti e Renan Accioly)

A artista plástica Ane Fernandes instiga arte

Uma sala típica dos tijolinhos da Univali, acadêmicos de jornalismo e uma apresentação.Os que chegaram mais tarde estranharam a presença atípica de um mulher de estatura mediana com cabelos médios e muita historia para contar. Quem foi a aula no dia 8 de setembro de 2009 na sala do oitavo período de jornalismo prestigiou a apresentação da artista plástica Ane Fernandes, atual coordenadora dos projetos da Fundação Cultural de Itajaí e coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Univali. 

Uma introdução sobre o Breve Histórico da Estética contada de trás para frente, começando com o contemporâneo e finalizando com o artesanato. Artistas como: Ron Mueck, Lucien Freud, Sergio Ferro, Basquiat foram as pecas chaves para o bate papo que aconteceu entre risos e olhos atentos as imagens expostas na tela.

A duvida lançada sobre o que é arte e o que é artesanato fez com que os acadêmicos pensassem de maneira diferente o que ela representa hoje. A arte contemporânea pode ser vista em livros: nos quadros de Monet ou Picasso. E nas ruas: nos grafites instigantes dos Gêmeos. O reconhecimento dos artistas e as mais diversas formas de apresentações culturais que explicam a arte por ela mesma.

Mas artesanato é arte?
“Depende de onde você encontra e de que forma ele é apresentado. Tudo pode ser arte até que provem o contrario”, esclareceu Ane Fernandes ao ser questionada por uma das acadêmicas. “O homem não faz arte porque quer, as porque necessita”, completou Ane ao dizer que a arte existe sem que nos esforcemos para que ela aconteça. O mundo em que vivemos vai muito alem da realidade do cotidiano.

Olhos atentos as telas desconhecidas e aos nomes diferentes apresentados aos estudantes de comunicação, iniciantes cheios de curiosidade sob o mundo colorido disperso entre os arranha-céus. A sociedade consumista também foi tema das explicações da artista plástica que encerrou a noite esclarecendo duvidas da platéia.

(Texto produzido para a disciplina de Jornalismo Especializado)

O lixo também é problema seu

O lixo é mais um transtorno do mundo moderno, embora exista desde os tempos remotos, quando ainda era atirado na rua ou em terrenos baldios e a coleta seletiva nem ao menos um embrião. Ainda não sabemos o que fazer com ele. Há tempos, o lixo vem se acumulando nas cidades e nos campo. Não há mais espaço para tanto material desperdiçado por nos em lixões e aterros. Você já pensou na quantidade de lixo que produz por dia? Se for um quilo, em um ano você produzira 365kg e em dois anos este numero subira para 730kg.



         Quantos anos você tem? Vamos lá faça a conta. Já pensou no impacto que o seu lixo já causou em nosso planeta durante esse tempo? Se ainda não parou para pensar, ainda há tempo. Nem tudo que jogamos fora é lixo. A coleta seletiva, termo usado para o ato de separar o lixo para que seja enviado para reciclagem, é algo que podemos fazem em casa mesmo.

      O que falta é a vontade de mudar e respeito com o meio ambiente. Existem varias maneiras de proteger o espaço em que vivemos sem deixar de fazer o que já estamos habituados, apenas adquirindo novos hábitos. A primeira tarefa é a separação do que é reciclável e do que é orgânico. Papeis, plásticos, vidro e metal são os principais vilãos para o meio ambiente, mas podem ser reciclados e virar novos produtos sem a necessidade de produzir mais materiais. Ou ainda, virar obra de arte na mão de artistas dispostos a preservar o planeta. Vasos feitos com plástico de garrafas, cestos feitos de jornal e até mesmo roupas feitas de papel por estilistas famosos. Nos últimos anos, o problema está cada vez mais evidente e as tentativas de mudança surgem a cada novo dia.

         No fim, sempre tem alguém disposto a mudar o habito inconsciente de quem não pensa a preservação do planeta. Pode parecer clichê, mas salvar o mundo do lixo é o dever de todos os que o produzem. Você pode produzir em pequenas quantidades diárias, mas no final do mês este número será multiplicado por trinta. No final da sua vida o seu lixo continuara poluindo o mundo em que seus filhos e netos irão viver. O importante é pensar no futuro mesmo que não seja o seu.

(Texto produzido na disciplina de Jornalismo Especializado)

Resenha doc: Jogo de cena, Eduardo Coutinho


Um anúncio de jornal e muitas histórias para contar. Foi assim que começou a realização de um projeto a caráter de Eduardo Coutinho, um dos melhores documentaristas brasileiros em atividade. Em junho de 2006, das oitenta e três mulheres que contaram suas vidas em um estúdio após a resposta ao anuncio de Coutinho apenas vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro daquele ano, algumas atrizes interpretaram as mesmas histórias.

Jogo de Cena é um longa-metragem de Eduardo Coutinho que desde o início da carreira divide suas obras entre o estilo da ficção e do documentário. Depois da passagem pelo programa Globo Repórter, na década de 70 optou pelo segundo. Cabra Marcado para Morrer tornou-se um clássico do cinema brasileiro na década de 60. Recentemente, lançou cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). Coutinho ainda é o autor dos documentários Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987) e Boca de Lixo (1992).

A obra conta a vida de mulheres comuns e faz uma linha tênue entre o que é real e o que é interpretado pelas atrizes que se dispuseram a contar aquelas histórias. Uma interpretação digna de brasileiras conhecidas por todos em novelas e minisséries nacionais. Tudo gravado e misturado é a impressão que temos ao ver as mesmas histórias contatas pela fonte (vida real) e pelo observador (intérprete), mais ou menos o que acontece no mundo do jornalismo. As histórias contadas são interpretadas de diversas maneiras dependendo da vivência e observação de cada um.

Uma belíssima obra que põe em dúvida o real e o imaginário. O que realmente somos? Observados ou observadores?

(Texto produzido na disciplina de Jornalismo Especializado)

Pingue-pongue: Genara Rigotti



Genara Rigotti é jornalista formada pela UNIVALI, em 1999. Iniciou sua carreira no mesmo ano trabalhando como repórter em várias editorias do jornal joinvillense ANotícia, no norte do estado. Atualmente é responsável pela edição e co-produção da revista Anexo D, que sai semanalmente aos domingos. O encarte é um mix de cultura e generalidades. Moda, beleza e cultura em geral são os principais temas. Genara foi até a sala 302 do bloco 12 da Univali, conversar com os futuros jornalistas no dia 6 de outubro. O bate papo aconteceu entre capas do Anexo D e estudantes de jornalismo angustiados em saber como é a profissão fora da sala de aula. Na duvida do que virá no cotidiano da profissão, lá na vida real. A jornalista foi receptiva as dúvidas e respondeu atenciosamente todos os questionamentos. A vida pessoal e profissional foi exposta sem que as palavras fossem medidas para isso. Genara é mãe, mulher e jornalista.

1 – O que o jornalista de cultura precisa para exercer a profissão? Que tipo de conhecimento e experiência são necessários?
Genara – Na verdade, o que todo jornalista precisa é saber escrever. O resto se aprende na prática mesmo. Temos como exemplo a jornalista Ana Paula, recém formada e sem experiência alguma na área, que tem se dado muito bem com o jornalismo cultural e evoluído muito desde o início.

2 – Você acredita que o público procura hard news nos jornais?
Genara – Acredito que não e que o papel do jornal não é esse. Na maioria das vezes, o jornal oferece a cobertura das matérias já divulgadas no dia anterior. O jornal é um aprofundamento do que já aconteceu, e é este o seu papel. Na revista Anexo D, temos vários temas que podem pautar matérias, mas é também um aprofundamento de uma notícia, ou uma pauta.

3 – Você já foi censurada em alguma matéria que quis fazer?
Genara - Não, nunca tive problemas com isso. Somente uma matéria sobre suicídio que sempre quis fazer e sempre me diziam que era delicado, que matérias assim tem que ter muito cuidado. Mas no Anexo D consegui fazê-la e tive um bom retorno do público.

(Reportagem desenvolvida na disciplina de Jornalismo Especializado)