O acúmulo de restos orgânicos de maneira inadequada pode destruir o solo e o gás metano expelido, auxiliar na corrosão da camada de ozônio. Sem contar os materiais que poderiam ser reciclados e acabam em lixões onde ficarão durante décadas até se deteriorarem.
O lixo descartado sem controle pode afetar diretamente o meio ambiente. Segundo dados da Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI), só na cidade de Itajaí são produzidas, mensalmente, mais de quatro mil toneladas de lixo, destes apenas 200 toneladas são destinadas à reciclagem, todo o resto acaba em lixões clandestinos, no aterro sanitário ou então na natureza.
Para amenizar esses problemas existem algumas maneiras de compactar e armazenar o lixo sem que ele fique jogado a céu aberto como acontece nos lixões. Dentre elas a mais viável para a realidade brasileira é a construção de aterros sanitários.
“Existem outras tecnologias para destinar o lixo, mas elas saem muito caro, para nós o aterro é a solução mais viável”, explica o Engenheiro Ambiental Francisco Carlos Nascimento, responsável pelo aterro sanitário de Itajaí.
O aterro sanitário é constituído de três etapas: a primeira é a uma cobertura no solo, para que o chorume (líquido preto expelido pelo lixo) não atinja qualquer lençol freático. A segunda é a drenagem deste chorume para lagoas de tratamento localizadas ao lado dos acumulados de lixo e depois lançados para o esgoto ou algum rio próximo, como ocorre em Itajaí. Por último, os detritos jogados no aterro são compactados com um caminhão rolo e depois soterrados por uma camada de argila. Para a eliminação do gás metano liberado pelo lixo existem tubulações no meio do aterro e antes de liberá-lo para a atmosfera esse gás entra em combustão, para evitar o risco de explosão sob o solo.
Mesmo afetando o meio ambiente o aterro sanitário ainda consegue controlar o metano e seu maior trunfo é o tratamento do chorume. Ainda é necessária a ajuda da população para que o aterro funcione de maneira mais eficiente, além de separar o lixo reciclável do orgânico a população ainda precisa reduzir o volume diário de lixo. “Cada ser humano produz quase um quilo de lixo por dia e todo esse volume é direcionado para o aterro. Com esse acúmulo diário em alguns anos a área necessária para construção de novos aterros será enorme”, ressalta Francisco Carlos Nascimento.
Parte do problema pode ser amenizado com a reciclagem, pois o aumento do lixo, como é o caso das embalagens em excesso nos produtos de hoje, são destinados ao aterro sem passar por uma separação adequada. Atualmente, apenas 5% do lixo reciclável produzido segue este caminho, todo o resto acaba no aterro sanitário da cidade de Itajaí, que também recebe o lixo da cidade vizinha, Balneário Camboriú. O excesso deste material não se refere apenas ao detrito doméstico, o aterro da Canhanduba ainda recebe resíduos hospitalares e industriais que deveriam ser de responsabilidade de seus geradores, diminuindo ainda mais a vida útil do local.
A história do aterro sanitário da Canhanduba já completou 18 anos, porém ela ocorria de forma precária até que, em 2006, a Prefeitura de Itajaí em parceria com a Engepasa Ambiental Ltda. e a Prefeitura de Balneário Camboriú inauguraram a nova estrutura. Desta vez, foi devidamente projetada e construída com o investimento de mais de 12 milhões de reais, para que o lixo tenha um destino final seguro, diminuindo o impacto ambiental.
(Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Cientifico com os colegas Antonio Massoquetti e Renan Accioly)
(Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Cientifico com os colegas Antonio Massoquetti e Renan Accioly)